Routine

Bom dia, boa tarde e boa noite.

Dancing with myself

Em um dia, voltando de uma entrevista de emprego em Osasco, tive a triste sorte de entrar na linha vermelha no horário de rush. Só quem já passou por isso sabe, que o inferno, contraditoriamente, fica na estação da Sé.

Desci do ônibus que me trouxe de Osasco no terminal Barra Funda, a duras penas, e depois de pelo menos uns 4 trens, entrei no metrô, rumo à Sé para fazer a baldeação. Mas nas estações que se seguiram, até eu chegar no meu destino, a minha angústia veio numa crescente, pois a cada estação, o trem só enchia. À uma estação do meu ponto final me levantei e fui rumo a porta para, enfim sair.

Sair é uma palavra muito branda para o que aconteceu, a realidade foi que eu fui lançada, ou levada, ou cuspida do trem. Óbvio que eu chamei meia dúzia ou mais de palavrões, mas consegui sair inteira. E lá estava eu, ainda me recompondo da confusão, predendo o cabelo, ajeitando a bolsa, mas quando olhei pra frente, vi a situação já desfeita.

Lá estava eu, parada no meio da frenética estação da Sé, sozinha. Na mesma velocidade que a confusão se fez, ela se foi. E eu caminhava a passos lentos, sem querer ou poder dividir com alguém a minha revolta, e esbravejar e depois engolir no seco, aí que eu percebi que aqui, é quase sempre assim.

Todos aqueles, que vivem a mesma situação que eu, sabem que é assim, no final das contas, no fim do dia, você está sozinho, mesmo na estação da Sé, com aquele mundaréu de gente, você está sozinho. Não digo isso com melancolia ou tristeza, digo apenas como uma constatação.

Mesmo com todos os amigos que tenho aqui, e não poderia querer melhores, sejam eles conterrâneos ou não, no final do dia, somos apenas eu e a cidade, essa enorme cidade, nessa relação que a gente constrói a pé, de ônibus, de metrô ou de carro se eu der sorte. É essa sensação de ser sozinho, só mais um na multidão que tem pressa demais, sempre tem pressa demais.

Por um momento, enquanto eu ia em direção a Linha Azul que me levaria pra casa, eu me senti bem. Esbravejei, gritei e xinguei, e não tava era nem aí pra quem estivesse ouvindo. Como diz a música, que escolhi para dar nome a esse texto: ” Well there’s nothing to lose. And there’s nothing to prove. I’ll be dancing with myself”

E espero eu, continuar assim, por um bom tempo. Com um pouco menos de aperreio da baldeação, se possível. E antes que eu pareça a maior narcisista da história, levanta a mão quem nunca sentiu assim em algum lugar dessa cidade, dentro ou fora do metrô. Porém, sem pesar meus caros, pois this little feeling, I call freedom!

Day or Night

Indo pra casa, de carro ou de ônibus, de manhã ou de dia. São Paulo até parece tranquila aos domingos, e nas noites da semana parece cansada. A cidade fala no seu ritmo e espaço. Apesar de muitas vezes ser caótico, apreciar São Paulo no trânsito, pode ser fantástico.

Fatos e Sonhos

Dedicado a todos aqueles que vivem como eu, sempre buscando.

É fato pra mim, que ninguém sai de casa de graça. Ninguém larga o colinho da mamãe, a cama arrumada, a comida boa e na hora certa, a roupa lavada, passada e dobradinha em cima da cama, se não tiver um ‘porquê’, certo?

Sair de casa nunca é fácil, porque sair de casa não implica só em viver sozinho em outro lugar, ou abrir mão das regalias, entre outras coisas você abre mão do convívio com a sua família. Você nem sempre vai poder estar presente como gostaria, e essa foi a escolha mais difícil que eu tive que fazer. Logo, digo com muita propriedade, que ninguém sai da casa do pai e da mãe sem ter um propósito.

Para quem acha que a vida aqui é só felicidade, ou algum arremedo de série americana, onde tudo cai do céu, que é só ficar de boa, tomar cerveja na padoca mais próxima, rir e conhecer novos personagens, e levar assim, essa vida tranquila, porque tem certeza que no final, vai dar tudo certo, esquece!

Aqui, se pena um bocado: pra deixar essa cidade imensa, cinza e as vezes bem fria, com cara de casa; pra arrumar um emprego; pra achar os lugares, pra economizar, pra se organizar pra no fim do mês tudo dar certo. Dependendo do dia, aqui pode ser a terra da incerteza, onde você nunca sabe, como e onde vai terminar.

O fato é que ninguém vem pra cá de brincadeira, ou pra brincar de casinha. Ninguém nasce sabendo, e se não tem quem ensine, o negócio é aprender na marra, pegando uma dica aqui e outra ali. Tem que ter coragem, meter a cara, e saber pedir penico quando o negócio avacalhar de vez.

Eu, como outras pessoas que já deram a cara a tapa aqui neste blog, vim pra cá em busca de aprendizado,  acadêmico, de vida, entre muitos outros. Estou aqui porque estou em busca de algo que ainda não tinha encontrado, infelizmente, na minha cidade natal. Posso não achar de imediato, mas dei o tal primeiro passo e saí à procura.

Não me acho uma pessoa melhor por isso. O que eu quero dizer é que são escolhas, e por isso me acho brava de alguma forma. E ninguém tem o direito de dizer o contrário. Escolhi meus objetivos, e vim com eles bem traçados, o que aparecer pelo caminho é lucro.

Existem sim as cervejas e risadas na padoca, a noite de encontrar os amigos e contar como foi a semana – porque os amigos se tornam um pouco família, mas disso eu falo depois.- Existem os personagens interessantes, e pequenas coisas que mudam a sua vida.

Aqui a gente curte, aqui a gente estuda, aqui a gente trabalha, aqui a gente ri, e se diverte muito, mas que atire a primeira pedra aquele que nunca deu uma choradinha no metrô com saudade de casa. E na boa, ninguém passa por tudo isso, só por uma baladinha hype no sábado anoite!

Na série americana pode ser até que funcione, viver no bar, e esperar encontrar o seu próximo chefe em uma situação nada comum, ou conversar como quem não quer nada na fila do supermercado com aquele cara que vai te oferecer uma bolsa de estudos daqui há um tempo.

Na tevê, assim prontinho, pode ser divertido, mas o que eu gosto mesmo, é dos bastidores, lá é que se aprende, como fazer, as coisas acontecerem de verdade. Aqui, a gente aprende que os sonhos, tem que se atrelar aos fatos, e fazer isso dar certo… aí é que está a grande questão.

De visita, em casa

A postagem de hoje não é tão bem humorada, porque hoje eu tirei pra falar de certas adversidades que surgem quando você sai de casa e da cidade onde mora, que vão muito além dos problemas e serviços domésticos que tu tens que começar a encarar sozinho!

Na minha última visita em casa, é até redundante dizer, mas foi bem ‘casa’. Não tinha a euforia de uma visita rápida, que tem que aproveitar tudo, matar as saudades de tudo antes que o tempo acabe. Deu bem pra me acostumar com a rotina e fazer as coisas de sempre, do jeito de sempre.

Porém, também nunca foi tão mudança. Meus pais tiveram que se mudar do lugar onde morávamos, por um motivo que nem vale a pena comentar de tão absurdos. Basta dizer que odeio meus vizinhos. E eu tive que finalmente me despedir, do que eu chamava de casa.

No processo de encaixotar joguei muita coisa fora, achei outras pelo caminho. Me senti realmente saindo de casa. Na minha última noite, tirei minhas chaves do chaveiro, bati no quarto da minha mãe e disse: “Vim devolver a chave”. Ela riu, eu tive que segurar as lágrimas.

Quando vim pra São Paulo, tinha sempre uma sensação de “viagem rápida”, e de que logo iria voltar. Dessa vez não. Doeu ver meu quarto vazio, minhas coisas encaixotadas, de maneira que o ‘meu’ quarto, não parecia mais ‘meu’. Foi aí que comecei a me sentir, uma visita.

Eu não fazia mais parte da rotina da casa, era como se fôssemos coisas absolutamente distintas. Aquela realidade não era mais minha, e aí eu comecei a sentir uma saudade absurda de “casa”, da distante casa nova, do meu quarto, que mesmo ainda incompleto, e sem realmente ter “a minha cara”, naquele momento parecia muito mais meu, do que aquele que eu vou ter, na que eu chamo agora: “a casa dos meus pais”. Sim, vai ter um quarto pra mim, um quarto com o qual não tenho nenhum vínculo emocional, o que pra mim faz uma grande diferença.

No entanto, acho que faz parte do ritual. Por mais que pra mim seja estranho pensar que quando eu voltar o “meu” quarto não será mais o mesmo, literalmente; e que eu não sou mais a “caçulinha da mamãe” que tem uma vaquinha de pelúcia em cima da cama, chamada Olga.  Agora eu sou a filha mais nova, que não está mais em casa, e sabe Deus quando vai voltar. Até os lugares mais familiares, símbolos de juventude e diversão não parecem mais os mesmos. E os meus amigos então? Esses me surpreendem sempre com cada novidade, de me matar de susto!

O fato é que as coisas mudam, mesmo que não sejamos o agente da mudança. Bobagem é querer acreditar que tudo ia permanecer estático, que a vida não ia continuar, só porque eu fui embora. Eu fiz uma escolha, de sair para procurar alguma coisa que eu não tinha lá, esperar que nada mude é muita ilusão. Tudo está diferente, aquela rotina não é mais minha, é um fragmento de lembrança, ou de uma realidade que não é mais natural pra mim.

Então, da minha casa velha aproveitei todas as vantagens: a comida incrível, a roupinha lavada, visitar a vovó, conversas intermináveis com o papai e colinho da mamãe. Dos meus amigos curti cada abraço, risada, gritos no carro com som alto, passeios, mesa de bar, e eles não imaginam a falta que me fazem. Cada um do seu jeito, me mata um pouquinho de saudade. Porque mesmo que eles estejam um pouco diferentes,  eles também se traem nas pequenas atitudes que fazem eles, serem eles. E essas coisas acabam sendo o que a minha velha casa significa, porque se eu volto, não é por causa do meu quarto, né?

Eu adoro meu novo lar, longe das asinhas da mamãe, e tudo que vem com ele. Confesso que senti bastante saudade até das tarefas domésticas, a verdade é que o ideal era ter tudo, minha família, meus amigos e os meus sonhos todos num só lugar, mas agora eu tenho essa vida dividida, e eu to nos dois lugares, de alguma maneira bizarra. A minha última visita em “casa”, foi pra lembrar porque, apesar das mudanças, eu ainda chamo de casa, e porque eu ainda choro toda vez que entro no avião.

A ponta do iceberg

Dessa vez eu confesso. Se tinha uma coisa que eu tinha horror quando era criança, adolescente e afins, era o dia de descongelar a geladeira. O almoço demorava, a cozinha ficava um caos: molhada, as coisas todas na mesa, no balcão, a própria visão do inferno. Aí vieram as novas tecnologia (frost-free), e isso parecia ter ficado no passado. Ledo, e infeliz, engano!

Aqui em São Paulo, apesar de todas as sortes que eu tive, ter uma geladeira moderna frost-free, não foi uma delas, e antes que todo aquele gelo começasse a engolir a minha comida, percebi que chegara a hora: Eu tinha que descongelar a geladeira! Como é que faziam lá em casa? Como manda a lei da cozinha caótica, esvaziei toda a minha geladeiraou "cozinha caótica", desliguei, e fui dormir. Quando eu acordasse ela já ia estar no ponto de limpar, a diarista ia chegar (lógico que estratégicamente eu ia descongelar a geladeira no único dia que teria alguém pra me salvar), ia me ajudar e a cozinha ia ficar linda rápido, né? Óbvio… que não! Acordei e ela tava lá, do jeitinho que eu tinha deixado, malditas noites frias de inverno.

A diarista chegou, fez o serviço dela, e a geladeira lá, visivelmente tirando uma com a minha cara. Já um tanto quanto puta aborrecida, sentei no computador pra passar o tempo. Aí pulou o ‘pvt da salvação’, a janelinha piscando dizia “mamãe”. Aí “descasquei“, só não chamei a tal geladeira de santa! Aí minha mãe vira pra  mim e diz:

- Você colocou ventilador?ou "arma secreta"

-O que?

-Ventilador, pra descongelar mais rápido.

- Não!

- Assim minha filha, não vai descongelar nunca!

Como se não bastasse a geladeira, agora a minha genitora também resolveu ‘tirar’ uma com a minha cara… Mas ironias a parte, nesse momento lembrei desse detalhe: O  ventilador no meio da cozinha, fazia ela ficar mais caótica, aquela coisa lá, no meio do caminho, era o detalhe que faltava na visão do inferno que tava a minha cozinha!

Peguei o tal ventilador, coloquei ele de frente pra geladeira, não demorou muito e comecei a ouvir os “estalos da vitória”! Sucesso! A geladeira estava enfim descongelando. contra o icebergSentei novamente em frente ao computador para passar o tempo aí lembrei do trabalho da faculdade que eu tinha que terminar, de um e-mail que eu tinha que enviar, aí lembrei das contas que estavam em cima da mesa para pagar, das coisas que já estavam faltando em casa. Comecei a pensar também na saudade, em coisas que estavam acontecendo na minha casa, e eu não podia estar lá pra ajudar, pensei que queria muito conseguir um trabalho, estágio ou qualquer coisa do gênero, e como isso estava sendo difícil de conseguir… e no quanto tudo isso era cansativo e as vezes frustrante.

Então eu me levantei, e fui ver a quantas andava a tal geladeira, e infelizmente, não tinha mudado muito. Cansada de esperar, e com medo da comida estragar – logo agora que eu resolvi ser saudável e comprar verduras, eu não podia deixar um eletrodoméstico arruinar a minha nova vida, e o sorvete que eu comprei ia derreter!- Me muni de um par de luvas verdes, e resolvi que ia limpar a geladeira, que todo aquele gelo ia sair de lá, por bem, ou por mal! O ventilador já tinha feito bem o seu trabalho, estava tudo menos grudado, logo mais fácil de tirar. Me senti o Titanic lutando contra o iceberg, mas ao contrário do tal barquinho, eu não pretendia afundar! Tirei pedaço por pedaço de gelo, joguei na tanque, até que ele ficou cheio e a geladeira vazia.

Terminei de limpar, tudo bem que eu quase não sentia meus dedos apesar das luvas, mas pelo menos a geladeira estava limpa. Enquanto devolvia enfim a comida pra geladeira, pensei que esta foi vítima da minha fúria, acabei por descontar naquele pobre e indefeso eletrodoméstico, toda a minha fúria e frustração. Hoje posso dizer que limpar a geladeira, é caótico e terapeutico!

Depois de tudo fui tomar banho, me arrumar para jantar, e quem sabe dormir. Acabei ficando acordada, organizando o dia, as contas, os gastos, as necessidades, enfim! Percebi que no meio da geleira de coisas que eu tinha que fazer, pensar e resolver, a minha geladeira era, ironicamente, apenas a ponta do iceberg.

Ajeita o cabelo e puxa o carrinho!

Pra começo de conversa, esse não é um relato de alguém que nunca havia entrado em supermercado na vida, e veio dizer como não sabia o quão chato é ter que escolher tomates. Conheço supermercados muito bem, primeiro porque meu pai os adora, sabe Deus o porquê. Segundo, porque eu muito novinha fui muita vezes incumbida de fazer as compras da minha família, sim, estou falando de arroz, feijão, carne, produtos de limpeza etc. Confesso que as vezes me divertia, é que faço parte de um estranho grupo de pessoas que ao reclamar do excesso de tarefas, no fundo estão dando graças a Deus por elas!

Voltando ao raciocínio inicial. Hoje fui fazer as compras do mês sem a minha ‘roomie’, que zarpou para um período de dois meses na Europa, me deixando sozinha no nosso gélido não é força de expressão apartamento. Espertamente, ao sair,  pedi para o porteiro do prédio me cerder o carrinho do condomínio, porque nos supermercados em São Paulo, além de não ter um moço(a) que nos ajude a ensacar as compras, eles também não ajudam a levar em casa, e eu com minhas mãos gordas e suadas não conseguiria trazer sozinha as tais compras do mês.

“Santa inteligência Carolina!” Pensei que seguiria meu caminho nublado e poluído sem grandes problemas, até que me deparei com a calçada, e junto com ela rampas, buracos, elevados e derivados, mas tudo bem, o tal supermercado não fica nem há uma quadra da minha casa, ajeitei o cabelo e fui. No entanto, 0 meu otimismo durou pouco, porque essa meia quadra se transformou em uma quadra eterna imensa, pois o pobre e velho carrinho “atolava” em todos os buracos, e só depois de algumas lutas entre eu, ele e a calçada cheguei enfim no meu destino.

As compras foram rápidas, assustadoramente baratas e tranquilas: Legumes, verduras, arroz, macarrão, pão, carne, frango, biscoito, miojo para os momentos de crise, produtos de limpeza, sabão em pó tá muito caro! entre outras coisas. Aí cheguei no caixa, ‘passei’ as compras e como tinha que tirar os produtos do carrinho, acompanhar o andamento da conta, ajeitar o cabelo e ensacar as compras, tudo ao mesmo tempo, lógico que ficou uma pilha imensa de coisas pra ensacar. Isso demorou muito mais do que todo o meu período dentro do tal supermercado.

Compras de volta do carrinho, hora de fazer o caminho de volta, com uma pequena diferença: o carrinho estava cheio, cheio e pesado! Vamos lá, ajeita o cabelo e empurra o carrinho. Empurrei o pobre carrinho, que não esperou nem eu sair da frente do supermercado para atolar, mas nada de desespero. Ajeitei o cabelo, fui para o outro lado e puxei o carrinho. Durante o trajeto de volta passei por diversos marmanjos que me olhavam com muito divertimento, quem me conhece, sabe para onde eu tava afim de mandar eles, né? Fato é que não recebi nenhuma ajuda. Cheguei na esquina, ajeitei o cabelo e me preparei pra atravessar a rua. ‘Uma’ dessas aqui de São paulo que tu nunca sabes quando tu podes ou não atravessar. Atravessei na faixa, me sentindo praticamente uma paródia suburbana do Abbey Road, sendo que a coisa mais roqueira da cena, era o “Belle and Sebastian” que saía dos meus fones de ouvido, e mesmo isso, nem tão rock assim.

Whatever! Cheguei em casa, contei com a gentileza do  porteiro (sim, o mesmo que me cedeu o carrinho) e a eficiência da minha diarista! Compras guardadas, cozinha arrumada, almoço encaminhado, me joguei no sofá pensando que no mês que vem, vou levar um grampo, pra não ter que ajeitar meu cabelo tantas vezes.